Certa manhã, acordei assustada. Logo ao abrir os olhos, vi uma grande cruz, do mesmo tamanho e a mesma largura da nossa cama de casal.
Levantei-me, equivocada, imaginando o que significava aquela cruz tão grande.
Olhei para o meu filhinho caçula José Caubi Filho e notei os olhinhos dele inchados. Sem perder tempo, levei-o ao médico de Ipú, próximo à Ipueiras.
Ele fez alguns exames e me disse:
- Leve seu filho rápido para Fortaleza.
Sem perca de tempo, viajamos, no trem, que era o único transporte e era um dia de viagem. Chegando lá, logo fui recebida e hospedada na casa da bondosa Eliete, casada com o irmão do meu esposo, que logo, no dia seguinte, nos levou ao consultório do Doutor Fernando, que, por sinal, tinha a fama de ser um dos melhores médicos da Capital. Ao chegarmos, ele viu os exames e examinou meu filhinho.
Eu, pressentindo algo triste, perguntei:
- Doutor é grave?
Ele respondeu:
- Grave, grave, gravíssimo!
Passou os remédios e voltei pra casa angustiada.
Não querendo contar todo o sofrimento. Estou resumindo grande parte. Mas Deus sempre me dava sua força, que eu conseguia, vencer todas as barreiras, afim de salvar meu filhinho. E foi no decorrer de três anos de luta e viajando para Fortaleza com temporada de inverno, por diversas vezes não seguia a viagem e tínhamos que esperar por socorro, mas eu sempre procurava manter a calma me comunicando com as outras companheiras de viagem afim de não mostrar a tristeza para meu filhinho.
Mesmo ainda fiquei gestante duas vezes. Que o primeiro foi meu filho Wevergthon e a segunda, a minha linda Vanuza Andréia. Eu continuava a luta pela saúde de meu filho, até perto do parto, passando uns três meses em casa, amamentando, mas logo quando eles ficavam mais fortes, mais ou menos uns dois meses, eu seguia viajando, passando apenas uns três dias para cuidar do meu casalzinho que, durante a minha ausência, ficavam aos cuidados de meus filhos. Mas a doença se agravava dia-a-dia, que foi consultado cinco médicos, e o desengano era o mesmo. Estou resumindo o sofrimento, que só com a ajuda de minha mãe e pai e Deus, eu sempre sentia aquela força divina.
Ainda fiz a última tentativa, porque disseram que tinha um médico muito famoso que curou um que estava no mesmo estado do meu filho.
Esta foi a última viagem, porque lá mesmo ele atendeu ao chamado divino. Voltei arrasada de dor e saudades do meu filho, pedindo a Deus pela bondosa Eliete que me ajudou nestes anos de sofrimento com tanta gentileza e rogo a Deus por tudo que ela ajudou para que ele desse a ela uma boa recompensa.
Logo pensei: Senhor, daí-me força para suportar esta separação e pelo menos fingir que estou alegre para alegrar meu casalzinho, que ainda não compreendem o mundo e nas horas do meu desabafo, me trancava no banheiro para depois ir conversar com eles, fingindo que tudo estava feliz e ainda agradecia a Ele, dizendo: Senhor, tu me tiraste um e me deste dois.
E continuava com a luta do dia-a-dia, agradecendo a Deus pelos pais que me davam muito carinho e meus oito filhos maravilhosos.
terça-feira, 16 de junho de 2009
A Cruz
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