Novamente as crises e pesadelos começaram a me martirizar. Então resolvi ir ao meu cardiologista. Ele disse que já tinha atendido muitos pacientes com o mesmo problema que o meu, dizendo que eu procurasse o Centro Espírita (o caminho da luz), que ia ser atendida pelo senhor Almerindo que era bastante viajado e estudado e todos se libertaram e mesmo ele era honesto e bom médium.
Cheguei em casa, contei a minha família e o Capitão Rogério, com sua gentileza, se comprometeu em me levar, que o dia de atendimento sempre era às quartas-feiras, às 6 horas da manhã.
Então, 5:30 horas da manhã, ele, que é meu genro, casado com minha filha Rose-May, fez a gentileza de me levar até lá. Escutei o evangelho, recebi passes e atendi ao chamado dele. Ele perguntou meu nome e idade e disse: A senhora é uma pessoa muito sofrida, tem forte mediunidade e é bastante sensível. E tem um espírito familiar lhe acompanhando, ela está vestida de roupa estampada e é idosa. Eu perguntei: “E o que ele quer? Ele respondeu: Não sei, mas se desceu, veio por algum motivo”.
Voltei pensativa em tudo o que o Almerindo me falou. À noite, já suspeitando que era minha mãe, rezei e pedi que me tirasse a dúvida. De qualquer maneira queria saber quem era o espírito que estava ao meu lado.
De repente, não sei bem explicar, mas senti algo na minha cabeça e vi, perfeitamente a um metro de distância de minha rede, minha querida mãe, do mesmo jeito que ele disse, com a roupa estampada, do jeito que ela gostava de se vestir. Me olhando com seu semblante muito triste. Na manhã seguinte a minha filha Marileide chegou e disse: Mãe, sonhei com a vozinha com o vestido estampado do jeito que ela gostava de se vestir e vi bem nítida.
Na noite seguinte, tornei a rezar, dizendo: “Mãe, estou feliz por ter visto a senhora, só que a senhora estava muito triste, a senhora precisa de alguma coisa ou eu estou fazendo algo errado”? Logo aconteceu do mesmo jeito comigo. Eu estava sentada na rede e ela ajoelhada, pegou os meus ombros abraçando e eu fiz o mesmo e ouvi uma frase: “Me perdoa!!!” Nem era a minha voz nem a dela. Era uma voz jovem.
Logo cedo, minha filha Marileide chegou e disse, antes que eu contasse, o que me aconteceu: “Mamãe, tornei a sonhar com a vozinha. Eu vi bem nítida e com um menino, só que o menino eu só via o vulto e eu abraçava ela e disse: Vozinha me perdoa por eu não ter ido ao seu enterro”.
Também contei o que tinha acontecido comigo e disse: “Na certa, o pedido de perdôo que ouvi, era o seu e fiquei contente por ter visto minha mãe, mas só não gostei da tristeza dela, que não me disse nada”. Mas já não sentia crises, era até uma certa paz em mim.
Sempre eu ia passar os finais de semana na casa de praia do Wellingthon, meu filho, mas, durante esses dias, eu estava angustiada e sem dormir, até que na quarta-feira à noite eu tive um forte pesadelo que até cheguei a acordar o meu filho com a ‘zoada’ e ele perguntou: “O que a Senhora está sentindo”? Eu respondi: “Meu filho, durante esses quatro dias, eu vivo angustiada, com fortes pressentimentos, sem saber o que será”. Só não disse nada mais para não se preocuparem comigo. E continuei: “Mas hoje mesmo quero ir embora”.
Voltei para casa e o carnaval já ia começar na próxima semana. A família já estava toda combinada para passear reunidas na mesma casa de praia do Wellingthon, então me perguntaram: “A Senhora não vai arrumar suas coisas para ir”? Eu respondi: “Não vou”. “E a Senhora vai ficar sozinha e deixar de se divertir com a família? Logo a Senhora que gosta tanto de dançar”?
De quinta pra sexta eu acordei rápido, me sentei na cama, aflita, com o coração bem acelerado. Cedo, a Rose-May, de saída, ainda perguntou: “A Senhora não vai mesmo”? Eu respondi: “Não, minha filha. Meu coração está pedindo para eu não ir, mesmo que fique sozinha”. Ela disse: “Tá bom, mulher teimosa. Qualquer coisa, o Rogério vai ficar aí em cima no apartamento”.
Então fora para a casa de praia, ficando a Marileide para ir sábado de manhã. À noite ela ainda veio para ver se conseguia me levar, mas logo o telefone chamou e ela atendeu com a voz trêmula, querendo disfarçar para eu não notar. Eu disse: “Minha filha vocês estão escondendo alguma coisa de mim”? Ela, então, disse: “Vá tomar seu calmante e vá dormir”.
Eu saí quase correndo e, sabendo que não iriam mesmo me contar, tomei o calmante e fui dormir. Acordei cedo, minha filha Vera já estava aqui e eu calma alizada, acho que minha mãe estava ao meu lado para ajudar. Então, eu, bem calma, perguntei: “O que vocês estão fazendo aqui”?
Ela disse: “Voltamos todos, houve um acidente. O Alison, que é filho do Wellingthon, brincando com o Juninho, filho da Rocicler, casada com o Kleber, o peruano, estava os dois brincando com uma espingarda do caseiro da casa de praia, pensando que estava descarregada, e atirou no Juninho e ele chegou aqui apagado”. Eram primos muito unidos.
Continuei calma e, quando meu filho Wevergthon chegou chorando e perguntando se eu já sabia, voltei a mim e minha mãe talvez pensou: “Agora não posso fazer mais nada”. Eu disse: “O meu netinho morreu”?
Então ele ficaram passando uns dias aqui em casa a fim de recuperarem-se. Agora vou para uma fase que foi muito dolorosa.
Certo dia, minha filha estava deitada na poltrona. Eu, olhando para ela, fui para o meu quarto, abracei a imagem de Nossa Senhora e pedi: “Minha mãe celeste, minha filha está sofrendo muito a falta do filhinho. Eu te peço com toda a força do meu coração. Aproveita este sono dela e deixa que seu filhinho vá lhe confortar”. E ainda pedi achando que pedia muito. “Se puder, deixa que os meus três filhos, que também estão na vida espiritual, se reúnam com ele”. Coloquei a Santa no seu lugar e logo minha filha acordou com o semblante melhor.
Me olhou e disse: “Mamãe, eu estava sonhando com meu filhinho. Ele se deitou comigo, me abraçando, e eu tanto beijava como abraçava. E aí ele suspendeu o corpo e disse ‘Mamãe, a Senhora sabe que a sua amiga – não lembro o nome dela agora – matou um garçon’? Então ele saiu percorrendo toda a casa. Ele, eu vi muito bem, mas tinham três vultos de crianças brincando com ele na maior folia, percorrendo toda a casa, brincando. Riam muito”. Nossa Senhora atendeu o meu pedido de que os três vultos deviam ser meus filhinhos e tanto ela quanto eu ficamos felizes com este sonho.
Ele gostava muito de jogar video game com os meninos e o Senhor Almerindo disse que ela botasse o que ele gostava porque ele ainda estava perturbado e sentia bem com os primos.
Então, eu estava na casa de minha filha Vera, que é conjugada com a minha, e os meninos estavam jogando video game. De repente, batem na sirene, e três vezes mais. Eu olhei o portão, então eu disse: “Vera, tocaram a campainha e aquele menino de frente pro portão não abre”. Ela olhou e disse: “Eu não vejo menino nenhum ali”. Logo, ele saiu em direção ao quarto dos primos e foi aí que vi que era o meu netinho Juninho.
Com o passar do tempo, o sofrimento já ia suavizando, certa noite eu tive um belo sonho com minha mãe, mais nova e esperta, andando rápido com uns peixinhos na mão. Eu perguntei: “Mãe, a Senhora está bem”? Ela disse que sim, então perguntei pelo meu pais e meu sobrinho, Gerson, e ela confirmava que estavam bem. Quando fui perguntar pelo Juninho, ela nem deixou terminar o nome e disse: “Estão todos bem”! Ela estava bem mais nova e eu quase correndo para fazer as perguntas, mas não alcançava. Foi um belo sonho.
terça-feira, 16 de junho de 2009
A minha libertação freqüentando o espiritismo
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